quarta-feira, 29 de abril de 2015

#Novelas: A volta dos que não foram

Olá, mergulhadores!

O post de hoje é uma pequena lista relembrando algumas novelas que tiveram personagens “mortos-vivos”. Tive essa ideia enquanto estava lendo o livro “A Estrada da Noite”, de Joe Hill. Mergulhem!


1 – Francesca Ferreto (A Próxima Vítima)


Vamos voltar ao ano de 1995, quando Silvio de Abreu levou muito suspense aos telespectadores com A Próxima Vítima (Globo). No último capítulo, todos os mistérios foram esclarecidos e o retorno triunfal de Francesca Ferreto (Tereza Rachel) pegou o público de surpresa. Logo nos primeiros capítulos da trama, a ricaça foi dada como morta. Porém, tudo não passou de um plano bem arquitetado por ela e pela irmã Filomena Ferreto (Aracy Balabanian) para proteger a família delas. Francesca estava morando na Suíça e teve grande importância no capítulo final da novela.

2 – Léo Brandão (Insensato Coração)


Léo Brandão (Gabriel Braga Nunes) infernizou a vida de vários personagens em Insensato Coração (Globo), novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, exibida em 2011. O vilão teve um desfecho trágico: foi assassinado dentro da cadeia no último capítulo. Antes disso, no entanto, Léo já tinha planejado uma falsa morte, para posteriormente sequestrar a mocinha Marina (Paolla Oliveira). Com a frase “Pronto, morri!”, que repercutiu bastante no Twitter, Léo comemorou o sucesso de seu plano.

3 – Antônio Mattoli “Totó” (Passione)


Passione (Globo, 2010/2011) foi mais uma novela de Silvio de Abreu que contou com um personagem “morto-vivo”. O ingênuo Totó (Tony Ramos) sofreu muito com as armações da vilã Clara (Mariana Ximenes) durante grande parte do folhetim. O apelido do personagem não poderia ser mais adequado, pois realmente Totó parecia um cachorrinho nas mãos da megera. A “morte” dele foi um choque para o público. O que ninguém sabia era que estava tudo certo para Clara ser desmascarada após a “ressurreição” do italiano.

4 – José Alfredo “Comendador” (Império)


Aguinaldo Silva também entrou nessa onda quando escreveu a saga do comendador José Alfredo (Alexandre Nero) na novela Império (Globo), exibida entre 2014 e 2015. Depois de construir um verdadeiro império, José Alfredo teve que lidar com a ambição de muita gente, inclusive dos próprios familiares. Quando se sentiu ameaçado, achou por bem se afastar daquele desgaste, forjando a própria morte, para depois voltar mais forte do que nunca. Na trama, apenas alguns personagens sabiam que o comendador estava vivo. 


domingo, 26 de abril de 2015

#Resenha: "Água para Elefantes"

Título: Água para Elefantes

Autor(a): Sara Gruen

Ano de lançamento: 2007

Editora: Arqueiro

Nº de páginas: 272


# A história

Jacob Jankowski era um estudante de veterinária. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ele tinha 23 anos e sua vida se transformou. Largou a faculdade antes de fazer as provas finais e caiu no mundo. Desesperado, acabou pulando em um trem em movimento, sem imaginar que estava entrando no Esquadrão Voador do Circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.

Tio Al, o empresário tirano do circo, queria expulsar Jacob do trem. Porém, quando o jovem explica que é quase veterinário, é admitido para cuidar dos animais. O chefe desse importante setor do circo é August, um homem imprevisível, que vai de encantador a intratável em questão de segundos.

Jacob se apaixonou duas vezes sob as lonas do circo: por Marlena, a estrela do número dos cavalos e esposa de August; e por Rosie, uma elefanta aparentemente estúpida. Agora, 70 anos depois, ele vive em uma casa de repouso, cercado por fantasmas do passado, e está pronto para falar pela primeira vez sobre a juventude em que trabalhou no circo.

# Opinião

Esse livro estava esperando na fila há muito tempo. Quando o peguei, conferi a sinopse - como sempre faço -, antes de começar a leitura. A impressão que eu tive foi de que o romance entre o casal de protagonistas seria retratado com todo o encanto, no estilo Nicholas Sparks, e que a relação de Jacob com a elefanta Rosie seria tão tocante quanto Marley & Eu. Não foi nada disso que eu encontrei.

A começar pelo título, o livro me vendeu uma ideia totalmente diferente. Rosie, a elefanta, quase não apareceu na história. A água, então, foi um mero detalhe no contexto. Talvez, um título envolvendo a rotina de um circo fosse mais adequado à proposta.

Aliás, com relação a isso, só posso tecer elogios.  O cotidiano do circo foi explorado com riqueza de detalhes, fazendo com que eu me sentisse nos bastidores de um espetáculo. Sara Gruen tem um estilo de escrita muito agradável. Algumas pinceladas de humor na narrativa também deixaram o livro mais leve, uma vez que o mesmo possui momentos bem tristes, envolvendo maus-tratos e exploração de animais.

A história é contada em primeira pessoa por Jacob. A narrativa é intercalada entre as experiências que ele teve na juventude em um circo e a sua vida entediante em uma casa de repouso, aos 93 anos. Eu gostei bem mais do Jacob idoso, com sua irreverência e descontração, apesar de ele reclamar da terceira idade o tempo todo.

Os capítulos dedicados ao personagem jovem não foram tão empolgantes, pois se concentraram muito nas mudanças que o circo fazia constantemente. No meio disso, sobraram poucos conflitos: brigas entre os trabalhadores e os artistas; o desumano transporte de animais e os salários atrasados.

Água para Elefantes é um livro para ser lido sem muitas expectativas. Ele me rendeu algumas risadas, reflexões sobre a velhice e sobre a situação dos animais nos circos. Podem anotar a dica. 



quarta-feira, 15 de abril de 2015

[Mergulhei Fundo] - O Doce Veneno do Escorpião

Título: O Doce Veneno do Escorpião


Autor(a): Bruna Surfistinha


Editora: Panda Books


Ano: 2005


Nº de páginas: 172


“A fofoca correu a série toda em poucos dias. Ninguém veio me perguntar se era verdade, ouvir o meu lado da história. Só ouvia as risadinhas e sentia os olhares na minha direção”.

Se eu chegasse aqui e começasse a falar sobre Raquel Pacheco, talvez alguém mais desinformado se perguntasse “Que raio de mulher é essa?” e até precisasse da ajuda do São Google. Agora, se eu falo em Bruna Surfistinha, as chances de a maioria esmagadora saber de quem se trata, aumentam consideravelmente. Mas, não é a mesma pessoa? Não, não é.

Raquel Pacheco foi criada por uma família de classe média alta, usava roupas de marca e teve oportunidade de estudar nos melhores colégios. Bruna Surfistinha é o “nome de guerra” da jovem que largou tudo para virar garota de programa. Loucura? Segundo ela, foi necessidade. Claro que não era financeira, afinal, recebia mesada dos pais e, quando acabava, era só pedir mais que eles davam. Saiu de casa por outra razão: para ser independente.

“Nunca mais minha mãe conversou comigo. Não sentiria nada se meu pai nunca mais olhasse na minha cara. Mas nunca mais ouvir ‘minha filha’ na voz acolhedora da minha mãe talvez seja o mais perto da solidão da morte que já cheguei”.

Estudar não era a praia dela. Mudar de colégio também não resolvia a situação. Começou a beber e a fumar muito cedo. Experimentou porque entrou na onda dos outros e não queria ser a “careta” da turma. Passou a roubar em casa e na escola para comprar drogas e alimentar outro vício: o das compras. Até que os pais dela descobriram e a briga foi feia.

O clima em casa ficou insuportável e Raquel até pensou em se matar. Aos 17 anos, começou a fazer programa, dizendo que já era maior de idade. Em O Doce Veneno do Escorpião, ela revela as dificuldades da “vida fácil”, as experiências engraçadas e constrangedoras pelas quais passou, além do sonho de largar esse trabalho, casar e ter filhos.  

“Fechei os olhos e, com o dedão, me preparei para pressionar o gatilho. Tinha uma pressão absurda dentro de mim, da minha cabeça, dentro do meu peito. Contei até três e aquela merda estava sem balas”.

Bruna Surfistinha fazia de 25 a 30 programas por semana. Encarava tudo profissionalmente, mas nem tudo era labuta. Ser garota de programa trazia uma satisfação, melhorava sua autoestima, pois ela se sentia desejada pelos homens (e pelas mulheres também), algo que não acontecia com a Raquel, a menina gordinha que teve bulimia e que tomava antidepressivos.

  
Famosa por causa do site, Bruna Surfistinha passou a ser
convidada para participar de outros tipos de programa
A Surfistinha criou um site para falar sobre os programas, como se fosse um diário. Nele, havia espaço para os mais “interessantes ou bacanas” da semana, com o seguinte aviso: “Caso você tenha feito programa comigo neste período, e eu não relatei, não se desespere. Tente novamente quando puder”. No livro, ela conta que isso turbinou os negócios, porque os clientes realmente iam tentar outras vezes.

“Antes, eu não respeitava ninguém. Se não fosse garota de programa, nunca aceitaria as diferenças das pessoas. Conheci todo tipo de gente: boas e ruins”.

Achei o mergulho interessante. O livro é curto e a leitura foi rápida. A linguagem é bem vulgar, por isso, selecionei trechos mais leves para esta coluna. Já tinha assistido ao filme protagonizado por Deborah Secco e agora pude conferir a obra impressa. Não avaliei a Raquel Pacheco, muito menos a Bruna Surfistinha. Avaliei o livro. Bom mergulho!

Alguém já leu esse livro? Deixem nos comentários o que vocês acharam? Quem pretende ler? Até a próxima!



domingo, 12 de abril de 2015

terça-feira, 7 de abril de 2015

[Divulgação] - O Vestido Cor de Pêssego

Olá, mergulhadores!

Hoje eu venho divulgar o trabalho da Rosania A. Stival, autora do livro "O Vestido Cor de Pêssego", que inicia a série Hussardos e Dragões

A Rosania entrou em contato comigo através da página do blog no Facebook (que vocês podem conferir clicando aqui). Gente, ela foi tão simpática comigo! Fiquei muito feliz com a mensagem que ela me mandou parabenizando o "Mergulhando Na Leitura".

Depois disso, ela me apresentou o livro dela, publicado pela Editora Planeta. E eu, é claro, não podia deixar passar a chance de compartilhar com vocês. Confiram!

domingo, 5 de abril de 2015

#Resenha: "Depois do funeral"

Título: Depois do funeral

Autor(a): Agatha Christie

Ano de lançamento: 2011*

Editora: L&PM Pocket

Nº de páginas: 288



# A história

Quando o patriarca da família Abernethie morre, a leitura do testamento gera muitas expectativas entre os parentes. O Senhor Entwhistle, advogado da família, fica responsável por revelar como a herança seria dividida, mas, eis que a irmã do falecido milionário o interrompe ao pronunciar algo que deixa a todos completamente chocados: “Mas ele foi assassinado, não foi?”.

Até então, ninguém havia questionado o motivo da morte do Senhor Richard Abernethie. Para todos, ele morrera de causas naturais. No entanto, a dúvida levantada atiça os conflitos familiares. A situação piora em seguida com o assassinato brutal de um dos presentes na leitura do testamento.

Será que a irmã do milionário estava certa? Agora, as duas mortes estariam interligadas? Temendo mais tragédias naquela família, o advogado Entwhistle decide ligar para o seu velho amigo, o detetive Hercule Poirot.

# Opinião

Ler Agatha Christie requer muita atenção. O que dificultou um pouco a minha leitura foi não ter feito a tradicional lista de personagens, não só para anotar os palpites de quem eu achava que seria o assassino, mas, também, para ajudar a memorizar os nomes. Foi um descuido meu.

Já conheço a escrita da autora há muito tempo e sei que ela costuma utilizar os sobrenomes para se referir aos personagens. Como esse livro gira em torno de uma família, ralei para associar quem era a esposa de A, o sobrinho de B e o irmão de C. Fica a dica para quem pretende ler qualquer livro de Agatha.

O caso é misterioso e eu achei a resolução bem criativa. Eu já havia lido outro livro em que a autora usou um recurso parecido, mas ainda não consegui acertar. Questão de detalhes! Agatha jogou fora, mais uma vez, o “manual” dos romances policiais. Ela quebrou as regras daquilo que, supostamente, não deve existir nos livros do gênero. E o fez com muita categoria.

Eu senti falta da participação mais ativa do detetive Hercule Poirot. Ele não tem muito espaço nesse livro, mas, quando apareceu, a história ganhou uma nova cara. Chegando pelas beiradas, conversando com as pessoas, Poirot revela a identidade do assassino e tudo se encaixa.

O livro é curto e ágil. Os capítulos pequenos e com bons ganchos também tornam a leitura mais rápida. A trama é intrigante e consegue prender o leitor até as últimas páginas. Fica aqui a recomendação para “Depois do funeral”.    

*Publicado originalmente em 1953.