quarta-feira, 14 de junho de 2017

[Mergulhei Fundo] - Ainda não te disse nada


Título: Ainda não te disse nada
Autor: Mauricio Gomyde
Editora: Porto 71
Ano: 2011
Nº de páginas: 236


“As horas avançaram e ela contou os minutos para pegar a bolsa e correr dali. Nem se despediu direito do pessoal. Ganhou a rua, o lugar onde se sentia confortável, em meio à multidão, olhando de relance tantas pessoas no fluxo contrário. Barulho, fumaça, confusão. Seu mundo perfeito”.

Você conhece alguém que escreve cartas até hoje? Pergunta difícil, eu sei. Foi essa a reflexão que o livro de Mauricio Gomyde me proporcionou. Não é novidade para ninguém que o jeito de se comunicar mudou bastante. Escrever uma carta, esperar dias até que a outra pessoa leia aquilo, parece coisa de outro mundo na era de tecnologia, em que tudo acontece já, agora, imediatamente.

A protagonista de Ainda não te disse nada se chama Marina. Vem de uma família italiana e, se dependesse do pai dela, seria uma grande padeira. Marina até tem talento para manusear massas e tudo mais, porém, o que ela gosta de verdade é do mundo da moda. Enquanto não se torna uma estilista famosa, ganha a vida trabalhando em uma agência dos correios.

“Até que percebeu, do lado oposto, sozinha, com um copo de café sobre a mesa, a mesma ruiva que entrara na agência aquela manhã. Debruçada sobre um maço de papéis, segurava a caneta. Olhava para cima, como em busca de inspiração, depois baixava a cabeça e escrevia. Por vezes, fechava o semblante, parecia emocionada”.

Marina encontrou “O Anjo Carteiro”, uma mulher que trabalhava escrevendo cartas. Tudo bem que ela se passava por outras pessoas, mas, a questão central é que as palavras que ela jogava no papel eram capazes de unir e emocionar muita gente.

Um dia, o destino pregou uma peça e a mulher faleceu. O que seria daquelas pessoas que recebiam as cartas do anjo? Se uma carta de alguém que você nem conhece caísse no seu colo, o que você faria? Responderia? Deixaria a pessoa esperando a resposta para sempre? Pois é, foi esse o dilema de Marina.

Decidiu que passaria a ser o novo anjo carteiro. Tomou coragem, estudou para obter as informações necessárias para a farsa não ser descoberta e se entregou à própria sorte. Com o tempo, Marina começou a gostar de receber as cartas e ficava contando os dias para a chegada da próxima.

“E foi que, durante um tempo impreciso, o dedilhado de um violão invadiu seus ouvidos, fez o corpo estremecer e o coração bater mais forte. Fechou os olhos, sorriu, apenas deixou a grave voz cantar-lhe a mágica história”.

Não vou me estender para não contar o final do livro. Posso dizer que a leitura foi ótima. Deu para notar que o autor mergulhou no universo feminino, pesquisou bastante sobre moda e comportamento das mulheres. A linguagem é simples e a narrativa é bem envolvente. Gomyde sabe brincar com as palavras, sem exageros e enfeites. Já é o segundo livro dele que eu leio (clique aqui para conhecer O Mundo de Vidro) e quero continuar acompanhando suas obras. Recomendo, com certeza!

Saiba mais sobre o autor aqui.

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