domingo, 4 de junho de 2017

#Resenha: "Elogio da madrasta"


Título: Elogio da madrasta

Autor: Mario Vargas Llosa

Ano de lançamento: 2009*

Editora: Alfaguara

Nº de páginas: 160 




# A história

Lucrécia e don Rigoberto são casados, vivem felizes e se entendem muito bem entre quatro paredes. Ela acaba de completar 40 anos e esbanja sensualidade; ele, no seu segundo casamento, só agora descobriu os prazeres que a vida conjugal pode oferecer.

O único empecilho poderia ser Alfonso (Fonchito), o filho de don Rigoberto. O pequeno amava muito a sua mãe, Eloísa, para admitir a chegada de uma substituta. Porém, Lucrécia conseguiu dobrar o garoto, conquistando a confiança dele.

Fonchito começa a ver Lucrécia de outra forma. O amor entre a madrasta e o enteado foge do controle. Até onde aquilo seria paixão? Inocência? De qualquer modo, o caso transformaria o destino daquela família.  

# Opinião

Se eu pudesse resumir esse livro em uma palavra, não tenho a menor dúvida de que escolheria dizer: polêmico.

Encontrei a obra por acaso, pesquisando na internet. Vi que se tratava de um livro erótico, que prometia deixar aqueles famosos cinquenta tons no chinelo. Sendo assim, embarquei, ou melhor, mergulhei no romance do peruano Mario Vargas Llosa, coberto de expectativas.

O título me dizia que um personagem se envolveria com sua madrasta. Simples assim e, realmente, é isso o que acontece. Porém, o choque veio quando, ao ler a sinopse, vi que o personagem Alfonso (Fonchito) é uma criança. É aí que a obra de Llosa se reveste de polêmica. O autor foi ousado e corajoso ao desenvolver um enredo tão delicado.

No começo, Lucrécia se sente culpada por sentir algo além de “amor de mãe” por Fonchito. Depois, ela passa a se divertir com a situação. Seu novo passatempo é mexer com os hormônios efervescentes do pequeno enteado.

O casamento de don Rigoberto e Lucrécia é ardente e eles carimbaram as partes mais picantes do livro. Já a relação de Fonchito com a madrasta foi retratada de forma mais “leve”. O autor explorou o lado da fantasia e do desejo de ambos, narrando o comportamento deles diante do cenário de perigo. O resto fica por conta da imaginação do leitor.

Uma coisa que eu não gostei foi da mania de higiene de don Rigoberto. Ele tinha um cronograma. Cada dia da semana era dedicado a uma parte específica do corpo, de modo que ele ficasse impecavelmente limpo todos os dias. Passava horas e horas lavando as orelhas, os pés, os braços... A leitura ficou chata nessa parte.

A escrita do autor é um tanto rebuscada, mas é envolvente e logo me acostumei. Há também alguns trechos em que são citadas obras de arte e tudo fica meio fora de rumo, porque parece que não fazem o menor sentido. É preciso trabalhar um pouco a mente para entender a mensagem que o autor queria transmitir.

Não foi um livro espetacular. A leitura teve os seus bons momentos e, de um modo geral, fluiu. Como eu já disse, a trama é polêmica. Recomendo arejar as ideias antes de começar a ler.

*Publicado originalmente em 1988.

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